MÃES CORAGEM

Em nome dos filhos, as mães costumam passar por cima de tudo. Muitas delas, no entanto, encaram realidades nunca imaginadas, como por exemplo, ter um filho viciado em drogas ou com deficiência física ou visual. Outras enfrentam o drama de ter um filho desaparecido. Um fio comum une todas essas personagens: a coragem.

DIA DAS MÃES

Rapaz atribui à mãe vitória sobre vício

Sozinha, empresária sempre acreditou que o filho, hoje com 27 anos, abandonaria as drogas.

O comerciante Sérgio Ricardo Paronetti, de 27 anos, foi viciado em cocaína e crack por 12 anos e afirma que, sem o apoio da mãe, nunca teria conseguido se curar. "Cada vez que me desesperava, e pedia para me internar novamente, minha mãe acreditava em mim: isso foi fundamental", diz. A empresária Tomica Ishicava, de 47 anos, descobriu que Sérgio era viciado em drogas quando ele tinha 16 anos. "Sérgio comprava as drogas e as consumia em casa: foi da maconha à cocaína e, finalmente, ao crack", lembra.

Para ela, Sérgio começou a consumir drogas porque o pai deixou a casa quando ele era bem pequeno. "Tenho outra filha e Sérgio deve ter se sentido pressionado a cuidar de nós duas."

No início, ela chegou a mandar o filho para a casa de parentes no Interior, mas não deu certo. "Ele se sentiu, rejeitado e sozinho." Tentou também alugar um apartamento para o filho morar só. Ele vendeu todos os móveis para comprar pedras de crack.

Foram nove internações no total, todas muito sofridas. "Em algumas clínicas davam-lhe outras drogas para acabar a fissura pelo crack, em outras o aprisionavam", contou. Na última clínica, Sérgio ficou por uma semana, com uma diária a R$ 1,5 mil. "Paguei clínicas mais caras para nada: pagaria qualquer coisa para ver meu filho curado", diz.

Quântica - Segundo Tomica, por meio de um método não-convencional chamado "terapia quântica", realizado pela física carioca Carmem Viana (telefones: (021) 493-9326/4972), Sérgio perdeu totalmente a vontade de consumir drogas, há sete meses.

Há um ano, na penúltima clínica, um médico chegou a dizer que o rapaz nunca se livraria do vício. "Discuti com ele porque nunca acreditei que não havia saída para o Sérgio", conta a mãe coragem. (L.A.)

Textos das fotos

Esperança e queixa
Cristina Canuto, 32 anos, é mãe de Layla, 7 anos, que tem paralisia cerebral. Com pouco dinheiro e muita dedicação ela cuida da menina, mas teme pelo seu futuro. "O Brasil não apoia seus deficientes", lamenta.

Sempre há saída
Tomica Ishicava, 47 anos, é mãe de Sérgio, 27 anos, ex-viciado em drogas. Da descoberta do vício à cura, o caminho foi muito longo e duro. "Mas nunca acreditei que não houvesse uma saída", diz.

ELE VENDEU OS MÓVEIS PARA COMPRAR CRACK

Tomica lutou por 12 anos para tirar Sérgio das drogas: "Pagaria qualquer coisa para vê-lo curado"

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