Eram os deuses internautas?

Termos e expressões específicas da informática são utilizados para explicar a relação entre o homem e a alma.

 

As respostas para perguntinhas difíceis como: “Quem somos?”, “De onde viemos?” e “Para onde vamos?” podem estar na internet. Se não estiverem no resultado de uma busca pelo Google ou o Altavista, certamente estarão na internet cósmica, basta saber acessar.

É o que explica o professor de cabala -  vertente mística do judaísmo – Shmuel Lemle, do Centro de Cabala do rio de Janeiro:

“A internet cósmica é muito maior que a virtual. Nossa alma é o provedor. Eu também poderia falar que é Deus, mas quando se fala em Deus as pessoas imaginam um velhinho de barba sentado no céu... Tudo o que temos que fazer é se conectar com esse servidor para encontrar toda a plenitude que buscamos”, afirma.

No caso da cabala, a internet serve de metáfora para falar de assuntos místicos que antes eram difíceis de explicar.

“No curso de cabala, usamos a linguagem da informática o tempo todo. Se antes falávamos em “nos unir” com a energia divina, agora falamos em ‘conectar’. A internet facilitou muito”, comemora Shmuel.

Chips da vida.

                _ Existem muitas outras filosofias que aproveitam o vocabulário da informática para explicar melhor o conceitos nada pragmáticos sobre o universo. O Biochip, Grupo de Estudos do Departamento de Artes e Design da PUC-RIO, coordenado pela professora Ana Branco, se baseia na comparação entre o chip do computador e as sementes.

“Ambos têm silício numa molécula de água e é no silício que está guardada a informação. No computador é a informação que o homem grava lá. Na semente, é a informação da matriz, da nossa origem”, explica Ana. Nas oficinas do biochip, ela ensina como recuperar essa informação através da alimentação viva, comendo sementes, alimentos crus e amornados que preservam o silício, que seria “o chip da vida”.

A pesquisadora autônoma Carmen Viana, estudou física, teologia, engenharia genética e magia(!) até chegar ao seu processo de reprogramação da memória celular, batizado por ela de Salto Quântico Genético. Pelo processo, seria possível não só acessar informações do presente, passado e futuro gravadas na memória celular, como reprogramá-las.

“Enquanto o computador recebe informações de forma linear e limitada, o corpo humano capta informações de uma infinidade de formas. As mais simples são os cincos sentidos conhecidos, mas há outras formas de codificação como a memória genética, a telepatia e outras mais complexas, difíceis de explicar ‘até’ por falta de vocabulário, explica Carmen, que também gosta de usar a expressão internet cósmica: “Cada ser humano é um terminal”, diz.

Expansão da consciência -  existem teorias que apontam o próprio advento da internet como uma espécie de evolução da consciência humana.

O físico inglês Peter Russel, autor de best seller, aponta inovações tecnológicas como a fibra ótica, satélite e internet, responsáveis pela formação da comunidade global que nos levará a tomar consciência de que somos parte de um único organismo.

A teoria de Russel vai ao encontro de outras como “ A teia da vida” de Fritjof Capra e a “Hipótese Gaia” de James Lowelock.

O jornalista Fernando Vilela, que nos tempos de faculdade trabalhou na revista futurista Ano Zero e editou o jornal holístico Alvorecer, conhece bem esses discursos e concorda: “A internet não é uma rede de computadores, é uma rede de pessoas e informações. O computador é o suporte, hoje temos outros como o celular e daqui a muito tempo pode ser que seja um chip na cabeça ou uma alteração genética que o homem faça”, prevê.

 

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